8.11.06

MOLEDO II

Cristiana Trindade


Hoje, o Paço Real do Moledo é tão só um terreno de cultura, restando apenas os muros que delimitavam a propriedade e um poço com vestígios de azulejos policromados, provavelmente situado nos seus antigos jardins.

Mas porquê este sítio para um palácio?

Pensa-se que antes de ser um palácio, teve outras funções. Teria sido um templo fenício ou cartaginês, pois foi encontrado junto das suas ruínas uma pedra (base de uma estátua?) com inscrições fenícias. Estes povos frequentavam a nossa costa para fins comerciais, fundando colónias e feitorias. Teriam eles chegado a Moledo através da ribeira de S. Domingos que desagua em Peniche? (esta ribeira corre mesmo junto ao terreno do paço).

De templo fenício, ter-se-á transformado em templo romano e, durante a ocupação árabe, em palácio de caça, tendo-se encontrado vestígios da arquitectura árabe, nas ruínas do antigo palácio, assim como as armas de Portugal, usadas pelo rei D. Afonso Henriques. Enquanto palácio real, aí permaneceu longas temporadas Inês de Castro, entre 1346 e 1352, como já referimos num post anterior. E, foi à sombra dele que a povoação cresceu.

Em meados do século XVI o palácio foi abandonado. Sabe-se que os habitantes do lugar foram, ao longo dos tempos, arrancando pedras para outras construções e muros, mas nos finais do século XIX ainda se podiam observar algumas ruínas. Entretanto, foi tudo arrasado e as pedras que restavam foram utilizadas na construção de uma estrada.
Nada foi preservado.


Bibliografia base destes trabalhos:
CIPRIANO, Rui Marques, Vamos Falar da Lourinhã, Lourinhã, Câmara Municipal da Lourinhã, [2001].

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