3.12.06

REGUENGO GRANDE – II

Se a extracção de pedra e o trabalho de cantaria era uma indústria muito antiga praticada pelas gentes do Reguengo e freguesias limítrofes, não nos podemos esquecer da actividade agrícola, praticada desde as origens nas propriedades reguengueiras. O brasão da freguesia é a este propósito muito elucidativo: o arado que lavra a terra, a macieira, que representa a maçã reineta ou reguengueira (especialidade da freguesia) e o rio Galvão, que para além de fertilizar as terras, fornecia a força motriz das azenhas.

A toponímia de Reguengo Grande e Pequeno já foi explicada num post anterior, há no entanto outro topónimo que merece ser evidenciado. A paróquia de Reguengo Grande foi fundada em 1525, após desanexação da de S. Bartolomeu dos Galegos, sob invocação de S. Domingos* (patrono dos reguengueiros da região, já que o Reguendo Pequeno também lhe dedicou uma igreja nos finais do século XVI). É que o rio de S. Domingos (navegável na Idade Média), que desagua em Peniche e alimenta a barragem na Atouguia da Baleia, nasce aqui nesta região.
Será que nasce próximo dos Casais de S. Domingos?

*S. Domingos de Gusmão (1170-1221), nasceu em Caleruega, no interior do reino de Castela. Foi o fundador da Ordem dos Pregadores, também conhecida como Ordem dos Dominicanos, com o objectivo de pregar a mensagem cristã, combater as heresias da época e converter ao cristianismo muitos povos da Europa de então. Convicto de que uma pregação eficaz necessitava de um estudo aprofundado das sagradas escrituras, enviava os seus irmãos para as principais universidades europeias. Os seus conventos situavam-se tradicionalmente junto das cidades, onde poderiam desempenhar melhor a sua missão.

30.11.06

S. LOURENÇO DOS FRANCOS

Hoje estivemos a visitar uma das igrejas mais antigas do concelho da Lourinhã.
S. Lourenço dos Francos é a igreja matriz da freguesia de Miragaia, povoação situada a 4 Kms da sede de concelho, numa encosta em frente do vale por onde corre o rio Grande (este passa depois pela vila e desagua na praia da Areia Branca). Foi este vale que esteve completamente alagado com as inundações do fim-de-semana passado.

A tarde estava soalheira, proporcionando-nos um magnífico passeio. O grupo de alunos (Inês, Rui e Vera), responsável por esta saída, desempenhou bem o seu papel. Foram eles que fizeram os contactos para termos acesso à chave da igreja, assim como nos contaram a respectiva história.

Mais tarde iremos publicar os textos a propósito, porque primeiro estão os de S. Bartolomeu dos Galegos. Mas aqui ficam duas imagens para aguçar o “apetite”.


Azulejos "padrão de camélia"
Interior do arco do Baptistério

26.11.06

ITINERÁRIOS DE DOMINGO

Depois de bebermos uma bica na Nau dos Corvos (Cabo Carvoeiro), eu e o meu cara-metade deixámos o concelho de Peniche e entrámos no da Lourinhã, pelo Paço. Rodeando o planalto das Cesaredas, percorremos as freguesias que nós (Clube de História Local) temos estado a estudar e a visitar.
Quase sem darmos por isso, entrámos no concelho do Bombarral e de repente, abre-se ante nós mais uma paisagem magnífica. E lá descobrimos a entrada de algumas grutas que foram ocupadas pelo homem na Pré-História e que são abundantes na região. Acabámos no museu do Bombarral.








Qual o itinerário percorrido? Quais as grutas de onde foram tiradas estas fotos?

O tema das grutas vem a propósito porque durante as investigações que antecedem as visitas, alguns alunos do clube leram que na Feteira (freguesia de S. Bartolomeu dos Galegos) há algumas grutas de grande interesse arqueológico (uma delas, necrópole neolítica, foi explorada em 1981 pelo arqueólogo João Zilhão). A partir daí, todas as vezes que saímos não falam de outra coisa, querem ir visitar as grutas. Entretanto, esta semana fui ao museu da Lourinhã e falei com uma das pessoas responsáveis pela área da museologia. Para além das indicações que deu, fez-nos várias propostas de colaboração para o 2º período. Quando o programa estiver assente iremos divulgá-lo.

Pois é ... um professor não consegue desligar, mesmo depois de ter cumprido o horário que seria suposto cumprir.
Maria dos Anjos Luís

25.11.06

A ARTE DA CANTARIA
no Reguengo Grande













As povoações que temos vindo a estudar (Moledo, Reguengo Grande e S. Bartolomeu dos Galegos) situam-se no ou em redor do planalto das Cesaredas, uma formação calcária que tem fornecido a matéria - prima para uma das indústrias mais antigas da região – as oficinas de canteiros. Foram eles que, desde a Idade Média, construíram muitos dos monumentos do concelho ou dos concelhos limítrofes (veja-se o caso da Igreja gótica de Santa Maria do Castelo da Lourinhã) e mais recentemente, as cantarias das portas e janelas de muitos edifícios.

Isto vem a propósito de uma carta*, datada de 4 de Maio de 1928, de um canteiro do Reguengo Grande, senhor Francisco Luiz Corredoura (filho), dirigida ao pároco de A dos Cunhados (Torres Vedras) para que este lhe pagasse as despesas da feitura do orçamento de fornecimento de cantarias (estava-se a iniciar nessa data as obras de ampliação da igreja), já que o trabalho não lhe tinha sido encomendado.

Este documento é interessante (para se ler basta clicar sobre a imagem para ampliar) porque testemunha a existência desta actividade tradicional na região, como também nos dá informações interessantes sobre os percursos de antigamente. Reparem: este senhor para ir a A dos Cunhados, em 1928, apanhava o comboio para Torres Vedras e depois a diligência, quando, hoje, a distância por estrada é muito mais curta (reparem também no preço dos transportes em relação ao salário de um dia de trabalho).

Para terminar, gostaria de levantar duas questões:

1. Será que há ainda algum descendente do senhor Francisco Luiz Corredoura ligado a esta indústria?
2. Em que estação é que os habitantes do Reguengo Grande apanhavam ou apanham o comboio da linha do Oeste?

Maria dos Anjos Luís

* Encontrei esta carta no Arquivo Paroquial de A dos Cunhados, onde me encontro, nos meus tempos livres e férias, a inventariar e a acondicionar a documentação antiga, com vista à organização do respectivo Arquivo Histórico. Tenho contado com o precioso auxílio da D. Domitília Nunes, que durante muitos anos trabalhou no cartório paroquial.

24.11.06

REGUENGO GRANDE
Andreia Jorge, Daisy Pereira e David Serra

A actual freguesia de Reguengo Grande pertenceu inicialmente à de Santa Maria de Óbidos. Depois, em finais do século XIV, integrou a de S. Bartolomeu dos Galegos, até que em 1525 tornou-se paróquia, sob invocação de S. Domingos. A 6 de Novembro de 1836, passou a fazer parte do concelho da Lourinhã, à semelhança das freguesias de Moledo e S. Bartolomeu dos Galegos.

A fixação humana nesta região ascende a épocas imemoriais, contudo o seu nome não oferece dúvidas. O topónimo da freguesia é constituído por dois elementos, sendo o primeiro derivado do português arcaico “Regalengo” ou “Reguengo”, que designa as terras pertencentes ao Rei e arrendadas a agricultores em troca de uma renda.
Assim, a freguesia do Reguengo começou por ser uma região sob a alçada directa da coroa. O seu topónimo acabou por perpetuar essa época. O segundo elemento toponímico “Grande” é qualificado como sendo de “tamanho maior que o vulgar”.

Assim, o nome desta terra teve origem numa enorme propriedade pertencente ao Rei, o denominado reguengo. Tanto a aldeia do Reguengo Grande como a sua vizinha a do Reguengo Pequeno começaram com a carta de D. João I, que foi dada no dia 3 de Fevereiro de 1433 em Coimbra.
Foi a partir desse dia, e em virtude dos privilégios nela existentes, que as populações se fixaram nos reguengos. Vejamos alguns excertos da carta:

«D. João por graça de Deus Rey de Portugal e do Algarve a todos os Corregedores, Juizes, e Justiças Oficiais, e pessoas e outros quaisquer que esta houverem de ver por qualquer guiza que seja, que esta carta for mostrada (...) querendo nós fazer graça e mercê aos que os nossos reguengos e herdades lavrarem, temos por bem e mandamos que todos aqueles que lavrarem corporalmente nas nossas quintas e casais encabeçados e outras herdades, não lavrarem senão as nossas, enquanto assim em elas morarem, sejam escusados de pagarem quaisquer peitas e fintas e talhas e emprestidos, nem outros nenhuns encargos dos concelhos onde assim morarem (...).»*

*CIPRIANO, Rui Marques, Vamos Falar da Lourinhã, Lourinhã, Câmara Municipal da Lourinhã, [2001], pp. 251-252.

23.11.06

A PROPÓSITO DOS PRIVILÉGIOS DOS HABITANTES DE MOLEDO
Magda Rodrigues e Filipe Alfaiate

Professora Margarida, lemos o seu comentário que pedia para esclarecermos em que consistiam os impostos que os habitantes de Moledo estavam isentos. Aqui está a resposta:

Fintas e talhas – eram contribuições municipais lançadas quando as rendas do concelho não bastavam para suprir determinadas despesas que, por vezes, a colectividade se via obrigada a fazer.
Eram assim contributos extraordinários e consistiam numa quantia imposta a cada contribuinte, mais o menos elevada segundo a fortuna de cada um e consoante era maior ou menor o valor da soma necessária.
As fintas eram lançadas principalmente para obter fundos destinados a obras dentro do próprio concelho (reparações de muros, pontes, calçadas e edifícios públicos).

Peitas – quantias que cada contribuinte cabia pagar na solução de determinados impostos, como, por exemplo, pedidos e fintas, ou multas aplicadas ao fisco.

Jugadas – era um imposto lançado pelo rei sobre os lavradores, por cada jugo de bois que usavam para lavrar a terra. A quantia a pagar era um moio de cereais (trigo ou milho) por cada junta/par de bois.

16.11.06

DEPOIS DE MOLEDO
Cristiana Trindade

Túmulo de Inês de Castro - Mosteiro de Alcobaça


Apesar de ter vivido, segundo a lenda, longas temporadas em Moledo, D. Inês de Castro residia, com os seus filhos e o príncipe, no paço que a rainha Santa mandara edificar junto ao convento de Santa Clara, na margem esquerda do rio Mondego, em Coimbra.
D. Fernando, filho de D. Constança e de D. Pedro, vivia em Lisboa, onde era educado como príncipe, pois iria ser rei de Portugal quando D. Afonso IV e D. Pedro morressem.
D. Afonso IV receava que D. Inês viesse a ser rainha (não nos esqueçamos que D. Pedro era viúvo de D. Constança). Ele sabia que por maldade o seu neto poderia morrer e um dos filhos de D. Inês de Castro poderia vir a ser rei de Portugal.
E foi no dia 7 de Janeiro de 1355 que tudo aconteceu. D. Pedro saiu de casa para iniciar a caça de montaria e despediu-se dos filhos e da amada.

De seguida D. Afonso IV foi até Montemor-o-Velho com a sua corte e ali reuniu com os conselheiros de estado, Diogo Lopes Pacheco, Álvaro Gonçalves e Pêro Coelho.
D. Afonso estava indeciso, se havia de fazer tal monstruosidade mas lá o convenceram.
Foi ao cair da noite que o rei e a sua corte chegaram a casa de D. Inês.
Não houve gemidos, nem lágrimas das crianças que impedissem a morte de D. Inês de Castro, que morreu degolada pelo machado do algoz.

(Fotos: http://195.20.14.201/0/05/76/09/c-ronaldo/41-alcobaca2.jpg e http://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/e/e2/Ines_de_castro.jpg/300px-Ines_de_castro.jpg )

11.11.06

A Igreja Matriz de Moledo

Cristiana Trindade

A igreja matriz de Moledo, cujo orago é o Espírito Santo, é uma construção renascentista, de finais do século XVI ou princípios do século XVII.

É uma igreja de uma só nave, com alpendre na porta principal. A torre sineira, no lado direito da fachada, tem pintada a data de 1629, talvez a do término da igreja.

No interior da igreja é de salientar o tecto de caixotões em madeira, cobertos de pinturas de arabesco, de onde sobressai, no painel central, a imagem do Espírito Santo.
No corredor central existe uma lápide sepulcral onde ainda se consegue ver a data de 1681.
As paredes laterais da nave e por debaixo do coro estão decoradas com azulejos policromados, tipo tapete, do século XVII. Alguns foram recentemente substituídos. Vejam a diferente qualidade de uns e de outros!

Por volta dos anos quarenta destruíram a arquitectura do monumento quando substituíram a antiga capela-mor por uma construção moderna.











8.11.06

MOLEDO II

Cristiana Trindade


Hoje, o Paço Real do Moledo é tão só um terreno de cultura, restando apenas os muros que delimitavam a propriedade e um poço com vestígios de azulejos policromados, provavelmente situado nos seus antigos jardins.

Mas porquê este sítio para um palácio?

Pensa-se que antes de ser um palácio, teve outras funções. Teria sido um templo fenício ou cartaginês, pois foi encontrado junto das suas ruínas uma pedra (base de uma estátua?) com inscrições fenícias. Estes povos frequentavam a nossa costa para fins comerciais, fundando colónias e feitorias. Teriam eles chegado a Moledo através da ribeira de S. Domingos que desagua em Peniche? (esta ribeira corre mesmo junto ao terreno do paço).

De templo fenício, ter-se-á transformado em templo romano e, durante a ocupação árabe, em palácio de caça, tendo-se encontrado vestígios da arquitectura árabe, nas ruínas do antigo palácio, assim como as armas de Portugal, usadas pelo rei D. Afonso Henriques. Enquanto palácio real, aí permaneceu longas temporadas Inês de Castro, entre 1346 e 1352, como já referimos num post anterior. E, foi à sombra dele que a povoação cresceu.

Em meados do século XVI o palácio foi abandonado. Sabe-se que os habitantes do lugar foram, ao longo dos tempos, arrancando pedras para outras construções e muros, mas nos finais do século XIX ainda se podiam observar algumas ruínas. Entretanto, foi tudo arrasado e as pedras que restavam foram utilizadas na construção de uma estrada.
Nada foi preservado.


Bibliografia base destes trabalhos:
CIPRIANO, Rui Marques, Vamos Falar da Lourinhã, Lourinhã, Câmara Municipal da Lourinhã, [2001].

5.11.06

MOLEDO - I

Magda Rodrigues e Filipe Alfaiate


A palavra Moledo deriva do latim “moles”, que significa grande massa de pedra. De facto, a povoação fica situada no planalto das Cesaredas*1, um afloramento calcário com doze quilómetros de comprimento por oito de largura.

A freguesia de Moledo foi fundada em 1594, tendo pertencido até esta data à freguesia de Santa Maria de Óbidos. Manteve-se no concelho de Óbidos até 6 de Novembro de 1836, data em que passou a pertencer ao concelho da Lourinhã, depois de uma grande reforma administrativa (repare-se no reflexo da lenda de Pedro e Inês no brasão desta freguesia).

O primeiro documento escrito conhecido relativo ao Moledo é uma carta de privilégios dada pelo rei D. Fernando, filho de D. Pedro I, a 12 de Outubro de 1378. Por esta carta os seus moradores e todos aqueles que viessem a sê-lo estavam isentos do pagamento de diversos impostos (jugadas, peitas, fintas e talhas) às vilas de Óbidos, Atouguia e Lourinhã, e podiam livremente negociar os seus produtos nestas vilas, assim como os moradores delas podiam vir a Moledo negociar os seus. Também estavam isentos do serviço de hoste e fossado*2.
Esta carta de privilégios foi muito importante porque atraiu muita população a Moledo.

Sobre a importância do paço no desenvolvimento desta freguesia falaremos no próximo post.


*1 O termo Cesaredas terá tido origem, segundo a tradição popular, no facto de ali terem estado acampadas as tropas romanas comandadas por Júlio César.
*2 O serviço de Hoste era o serviço militar a que todos estavam obrigados, quando havia uma empresa bélica de alguma importância (cerco de uma cidade ou castelo e lide campal). Fossado era também serviço militar obrigatório, mas em operações militares de carácter ofensivo, tendo tido origem nas lutas da reconquista (normalmente no fim da Primavera e, durante algumas semanas, faziam-se incursões nos territórios ocupados pelos mouros). Foi, mais tarde, transformado num imposto, a fossadeira.

2.11.06

OS AMORES DE PEDRO E INÊS
em Moledo, Lourinhã – II

Cristiana Trindade
Como já referimos no post anterior, D. Pedro vinha passar longas temporadas ao paço da Serra d´El-Rei e aproveitava para se encontrar, longe dos olhares da corte, com Inês de Castro num outro paço real, o de Moledo.

Achámos que seria interessante reconstituir o percurso provável seguido por D. Pedro entre as duas localidades, que parece ter sido aquele que assinalámos no mapa. Assim, diz a tradição popular, que D. Pedro saía da Serra d´El-Rei a galope e quando passava pela localidade do Paço, gritava “aqui a passo”, por ser uma zona de muitas areias e, deste modo, “Passo” passou a designar esta pequena povoação da freguesia de S. Bartolomeu dos Galegos (ainda há 150 anos o lugar do Paço escrevia-se com a grafia antiga - Passo).

Mais à frente, D. Pedro parava num tanque para dar de beber ao cavalo e para ele próprio se refrescar, que era abastecido por uma nascente situada no terreno de um antigo Convento de Agostinhos, transformado numa quinta no século XVI. Esta quinta denomina-se Quinta da Fonte Real em memória deste episódio e encontra-se hoje dentro do perímetro urbano de S. Bartolomeu dos Galegos.

Finalmente, D. Pedro tomava a estrada de Moledo para ir ter com a sua amada, depois de ter contornado o planalto das Cesaredas, de mais difícil acesso pelo lado norte e noroeste.

27.10.06

OS AMORES DE PEDRO E INÊS
em Moledo, Lourinhã - I

Cristiana Trindade

Por decisão do rei Afonso IV, D. Pedro, príncipe herdeiro da coroa, casou em 1336 com D. Constança, uma jovem da mais alta nobreza de Espanha. Com D. Constança veio Inês de Castro, uma das suas aias e amiga. Mal a viu, D. Pedro apaixonou-se por ela e desde logo mantiveram uma relação amorosa. Constança sabia do caso e tentou resolvê-lo, convidando Inês de Castro para madrinha do seu primeiro filho. Naquele tempo, os padrinhos e os pais de uma criança passavam a ser como irmãos, tornando incestuosa qualquer relação amorosa entre eles. A criança acabou por falecer, mas os príncipes ainda tiveram outro filho, D. Fernando, herdeiro do trono.

Entretanto, D. Constança Manuel morre em 1345 e D. Pedro e D. Inês passaram a viver juntos, o que causou grande escândalo. Mais tarde, D. Pedro declararia que tinham casado secretamente. Nessa época a Igreja reconhecia o “casamento de juras”, bastando aos noivos proclamá-lo diante de testemunhas, sem necessidade da presença do padre e do consentimento dos pais.
Temendo futuras lutas entre os filhos de Pedro e de Inês (tiveram quatro filhos) e o herdeiro legítimo da coroa D. Fernando, o rei Afonso IV acabaria por condená-la à morte. Foi assassinada em Coimbra, em 1355.

Entre 1346 e 1352, D. Pedro, permaneceu longas temporadas no seu Paço da Serra de El-Rei (próximo de Atouguia da Baleia e Peniche) para se dedicar à caça e, segundo a lenda, para se encontrar mais à vontade com Inês de Castro, longe da Corte. Esta ficava num outro paço, em Moledo, que dista da Serra poucos quilómetros e a quem o príncipe visitava regularmente e aos seus filhos. A tradição oral refere que dois dos filhos de Pedro e Inês nasceram aqui, no Paço do Moledo.

22.10.06

HINO A NOSSA SENHORA DE MONSERRATE
PADROEIRA DE RIBAMAR

1. Nossa Senhora de Monserrate
És Padroeira de Ribamar
És Rainha do mundo inteiro
És rainha de Portugal.


Refrão
Avé Maria, Avé Maria
Amável Senhora de Monserrate
És Padroeira de Ribamar!

2. Foi nesta Terra abençoada
a terra de Santa Maria
olhando o mar encapelado

Protege-nos de noite e dia.

3. Imaculada és Padroeira
Ó Virgem Mãe rogai por Nós
traz-nos teu Filho teu filho amado
dá-nos o amor esperança e paz

4. És protecção de Mãe divina
esperança e Luz na escuridão
refúgio certo dos sem abrigo
dos pobrezinhos sem lar, sem pão.

5. Dos pescadores és protecção
no mar imenso e na tempestade
das nossas vidas és a razão
És Padroeira de Ribamar.

6. No mar profundo e encapelado
és minha tábua de salvação
somos errantes mas filhos Teus
Nós te trazemos no Coração.


3.ª imagem (Igreja de Ribamar)

21.10.06

Festas de Nossa Senhora de Monserrate
Diana Jaleco, Melissa Pessoa, Rita Fonseca e Ruben Fernandes

Na passada 5.ª Feira, dia 12 de Outubro, o nosso grupo de trabalho foi à descoberta das antigas festas de Ribamar. Curiosamente, nesse mesmo dia, as pessoas que entrevistámos estavam a ajudar a desmontar o arraial.
Começámos por falar com o sr. Rui Mateus que nos disse que há cinquenta atrás, o seu pai levava a imagem da nossa padroeira no seu barco sempre que ia ao mar. Falamos da 1ª imagem, cuja origem e início do culto não conseguimos confirmar. Segundo parece, houve na nossa costa um naufrágio de pescadores espanhóis. Estes, em hora de aflição, prometeram à padroeira dos pescadores – Nossa Senhora de Monserrate -, que se esta os salvasse trariam para Ribamar uma imagem e o respectivo culto. A 1ª imagem ainda existe, é uma imagem de madeira de cor branca, que se encontra em casa de pessoas particulares, família Marau, há várias gerações.
De seguida, falámos com uma senhora, a Dª Cilinha, que nos contou alguns factos milagrosos que, como é óbvio, não nos é possível confirmar por se tratar de relatos orais passados de geração em geração. Factos, esses, acontecidos por obra e graça da padroeira da nossa terra.
Na festa anual de Ribamar fazia-se a procissão das velas e o povo deslocava-se à Marquiteira no sábado à noite para ir buscar a imagem à igreja paroquial. Traziam-se outras imagens, fala-se em quatro andores, um deles o de S. Sebastião, e as imagens eram deixadas em casa dos festeiros. No domingo, as imagens eram levadas para o local da festa, onde actualmente se encontra a igreja, e era celebrada a missa campal. Depois, na segunda-feira, iam devolver a imagem à igreja paroquial.
As pessoas viviam intensamente a festa, tal como hoje, e preparavam-se espiritualmente para a mesma. Na semana anterior realiza-se o tríduo com o convite a pregadores que vinham preparar os fiéis para as cerimónias religiosas. Ainda hoje se mantém esta tradição.
Procurámos também saber o porquê da festa na 2ª semana de Outubro. Foi-nos apresentada a seguinte hipótese pela Dª Narcisa – ex-AAE da nossa escola - confirmada também pela AAE Dª Arménia, que a festa era realizada pelos pescadores em honra da sua padroeira. Há muitos anos atrás os pescadores não iam ao mar entre os meses de Setembro e Fevereiro devido às condições climatéricas e ao consequente estado revoltoso do mar. (É preciso relembrar que os barcos não tinham os equipamentos de hoje.) Portanto, depois de arrumar todo o equipamento da faina piscatória e após as vindimas, os pescadores preparavam os festejos em honra da padroeira.
A 2ª imagem
Em 1952, a comissão de festas resolveu substituir a primeira por outra imagem da mesma padroeira. Esta imagem encontra-se na casa mortuária e foi venerada até 1971.
A 3ª imagem
Em Março de 1971, foi substituída e inaugurada uma terceira imagem, oferecida por um amigo de Ribamar e de seu povo, o sr. Mário Támen, conhecido por “Mário, o Pescador”. Esta terceira imagem de cor negra encontra-se na nossa igreja paroquial e foi adquirida no santuário de Monserrate, em Espanha.

12.10.06

NOSSA SENHORA DE MONTSERRAT
Melissa Pessoa

A tradição religiosa refere que o culto a Nossa Senhora de Montserrat remonta aos primórdios do Cristianismo, quando o apóstolo S. Pedro levou uma imagem de Nossa Senhora para Barcelona.
Entretanto, no século VIII, os árabes invadiram a Península Ibérica e os cristãos, receando a profanação das suas imagens sagradas, esconderam-nas em lugares inacessíveis. Foi o que aconteceu com a imagem de Barcelona, que foi escondida numa caverna de uma montanha próxima, denominada Montserrat por se assemelhar a um serrote de dentes aguçados.
Passados dois séculos, alguns pastores, atraídos por um mágico esplendor que irradiava da montanha, encontraram a imagem enegrecida pelo tempo (a sua cor escura, levou a que os catalães a designassem de «La Moreneta»). A notícia rapidamente se espalhou e começaram-se a organizar romarias ao local. Tentando movê-la do sítio, esta não se deslocou, o que foi entendido como algo de sobrenatural. Construiu-se então uma capela, transformada em santuário pela fama dos milagres de Nossa Senhora de Montserrat.
Mais tarde, os reis católicos (finais do séc. XV) de Espanha mandaram construir um majestoso mosteiro, que foi entregue aos monges beneditinos. O papa Leão XIII (1878-1903) declarou a Virgem de Montserrat padroeira da Catalunha.

4.10.06

A FESTA DE RIBAMAR ANTIGAMENTE (1)

Diana Jaleco

Segundo a D. Maria Candeias, a festa de Ribamar, antigamente, era muito diferente do que é agora. Durava apenas três dias, mas dois deles eram mais importantes porque nesses dias as pessoas dançavam “jazz” (assim lhe chamavam) e havia o bailarico à noite.
Nossa Senhora de Monserrate foi sempre a padroeira de Ribamar, mas enquanto não houve aqui igreja, a imagem estava na igreja da Marquiteira e era lá, que se fazia a missa de festa. Depois havia a procissão, pelas ruas da Marquiteira e no fim Nossa Senhora regressava à igreja paroquial.
A festa realizava-se em Ribamar e no regresso da missa da festa, pelo caminho da Marquiteira até Ribamar, havia música e era tudo muito animado.


(1) Respondendo ao desafio do sr. Rui Cipriano, a Diana trouxe este texto e o Rúben disse-nos que ainda não tinha falado com a avó mas iria fazê-lo. Entretanto, este grupo está a pesquisar também sobre as origens do culto à Virgem Negra de Montserrat (na imagem).

28.9.06

A FESTA DE RIBAMAR
Ruben Fernandes

A freguesia de Ribamar, criada em 1984, é a mais recente freguesia do concelho da Lourinhã. Foi desanexada da freguesia de Santa Bárbara (Marquiteira), constituindo-se igualmente em paróquia, de invocação a N. S.ª de Monserrate. Em 1997, Ribamar foi elevada à categoria de vila.

A igreja de Ribamar tem 35 anos e já foi arranjada uma vez há 12 anos.
Todos os anos, na segunda semana de Outubro, sexta-feira, tem início a festa de Ribamar em honra a nossa senhora de Monserrate. Esta festa tem a duração de seis dias.

No domingo da festa, às 8 horas da manhã é a alvorada (lançamento de muitos foguetes). De tarde realiza-se a missa em honra da padroeira e dos pescadores, de seguida segue-se uma procissão onde todos os santos visitam as ruas de Ribamar.

A festa é composta pelo arraial, a quermesse, os comes e bebes e há um pequeno parque de diversões para os mais jovens.

Por detrás do arraial servem-se petiscos, almoços e jantares. Os almoços, petiscos e jantares são normalmente caldeirada, arroz de marisco, frango assado, salada de polvo, peixe grelhado, pipis, camarão, mexilhão e carne à Monserrate.

Todo o dinheiro que a festa angaria é para pagar as despesas e o que sobra é para a igreja de Ribamar.

21.9.06

NOVO ANO, NOVOS PERCURSOS

Hoje conhecemos o novo grupo de trabalho. São catorze elementos: Andreia Jorge, Daisy Pereira e João Correia do 7º C, Cristiana Trindade, Filipe Alfaiate, Magda Rodrigues, Inês Bonifácio, Rui Ferreira e Vera Santos do 8º B, David Serra e Ruben Fernandes do 9º A, Diana Jaleco, Melissa Pessoa e Rita Fonseca do 9º B.

O grupo pareceu-nos simpático e cheio de vontade de dar continuidade ao trabalho realizado no ano anterior. Organizámos os grupos de trabalho, distribuímos os temas a investigar e elaborámos o calendário das saídas. Todos concordaram com as visitas às freguesias do norte e leste do concelho, mas há um grupo que vai já começar pela festa de Ribamar que se aproxima, em homenagem a N.ª Sr.ª de Monserrate.

Aos elementos deste e dos outros clubes desejamos um bom ano.

Lurdes Neto
Maria dos Anjos

10.9.06

Os novos Itinerários do Clube de História Local

(mapa, site da Câmara Municipal da Lourinhã)

A menos de uma semana de os alunos do 3º ciclo se increverem nos clubes e para que o de História Local possa fazer propostas aliciantes, passei a tarde a percorrer as localidades a norte e a leste do concelho da Lourinhã. Era necessário verificar os pontos de interesse a visitar, anotar distâncias em relação à nossa escola de modo a ser viável visitá-los, horários e contactos. S. Bartolomeu dos Galegos, Moledo, Reguengo Grande, Santuário de N. S.ª da Misericórdia, Moita dos Ferreiros e, finalmente a igreja de S. Lourenço dos Francos (entre Marteleira e Miragaia). Os nomes das localidades sugerem já histórias interessantes a descobrir e, pelas espreitadelas que consegui dar em três igrejas, posso assegurar que o trabalho promete. Entretanto há que voltar a sítios já visitados na sede do concelho, para explorar outras vertentes, até porque a maioria dos alunos que o clube vai receber são novos.
Um bom ano lectivo para todos!
Maria dos Anjos

3.9.06

FONTES DA HISTÓRIA DA LOURINHÃ - II

A fotografia é um documento histórico imprescindivel porque nos mostra como eram os sítios e os monumentos no passado recente (a fotografia só foi inventada no século XIX) e constitui um valioso complemento do documento escrito.













A Igreja Velha da Marquiteira possuía um elegante campanário, como se pode observar nestas fotografias de 1954.









Arquivo da Câmara Municipal da Lourinhã

Teria a comissão das obras de restauro, feitas há poucos anos (ver post «Preservação do Património II - Igreja Velha da Marquiteira», arquivo 05.06) decidido derrubar o campanário ou ele já não existia nessa altura?

27.8.06

Arte Contemporânea
A recuperação das tradições estéticas nacionais

Grande Auditório - folha de ouro nas paredes, sobre o pinho e orgão de talha dourada (direita)

De regresso de um fim-de-semana passado no Porto, não resisto a partilhar algumas imagens significativas da simbiose entre o passado e o presente. A Casa da Música é de facto um edifício extraordinário, não só pelas inovações introduzidas pelo arquitecto holandês, Rem Koolhaas, em termos dos espaços e da utilização dos modernos materiais (betão, vidro ondulado, etc.), como também por se ter inspirado na tradição das artes decorativas portuguesas, recriando-a em espaços multifuncionais. Estou-me a referir à azulejaria e à talha dourada, objecto de vários trabalhos deste clube.

Sala Renascença - azulejos azuis, verdes e brancos (séc. XVI)


Sala Vip - Azulejos azuis e brancos (sécs. XVII-XVIII)

6.7.06

Boas férias!

Ao longo de oito meses, o clube de História Local percorreu e (re)descobriu sítios e monumentos sob um olhar observador, atento, crítico, estético e contextualizado.
A ponte estabelecida entre o passado e o presente e toda a recolha do património oral permitiu-nos despertar o interesse e a sensibilidade para a preservação da nossa história local.
Muito obrigada a todos os alunos, Auxiliar de Acção Educativa, ao sr. Rui Cipriano e a todas as pessoas que nos acompanharam na nossa caminhada pelo património edificado e oral.
Mª dos Anjos Luis e Lurdes Neto

27.6.06

TRADIÇÕES POPULARES

As marchas de S. João em Ribamar

Respeitando uma tradição recente, que remonta a 1989, os habitantes de Ribamar (crianças, jovens, adultos e idosos) realizaram um desfile de marchas populares na noite do dia 23 de Junho. Este evento aconteceu na véspera feriado municipal, dedicado ao S. João. Participaram no desfile, que culminou no pavilhão gimno-desportivo, três grupos com centenas de figurantes.



Marcha - Ribamar Centro
Tema: "O dia da espiga"


Refrão:
"Cá vai a Marcha
que o povo gosta de ver
A cantar bate palmas atrás dela
Diz lá do alto a velha lua prateada

Ribamar mais parece uma aguarela
Enquanto passa
a sorrir faz um convite
Vem aí não fique o teu pé no chão
E quando canta toda a gente contagia
Ela traz Ribamar no coração."



Marcha: Ribamar Sul
Tema: Oceanos


Refrão:
"Ó Zé cá estão,
utentes das nossas Praias
Que no Verão vêm do Norte e do Sul
P'lo S. João deixa sempre a Praia
limpa
Porque a malta que aí vem,
prefere a bandeira azul
Ó Zé vê lá não estragues o Oceano
Nós precidamos sempre do mar
para viver
ó Zé vê bem, poluir é um engano
E com o mar poluído,
não há peixe pra ninguém."


Marcha: Ribamar Idosos
Tema: Valores de um Povo

Refrão:
"Marcha, salta para a rua
o teu povo alegre
muito tem para recordar
Danças, e de que maneira
Com os seus balõezinhos
põe as ruas a brilhar
Venham todos recordar
Esta gente boa, que lutou por Ribamar
Cantem com muita alegria
E o povo atrás dela
também quer marchar."

Para além de um bonito espectáculo, foi interessante vermos antigos, actuais e futuros alunos a desfilarem com muita alegria. E, não nos podemos esquecer da nossa marchante-mor (do nosso clube) - a D. Arménia.

Lurdes Neto e Maria dos Anjos

23.6.06

FINALMENTE DE FÉRIAS!

Mensagem para os meus alunos do 9º ano

Eu bem vi a vossa alegria à s
aída do exame de Matemática! Sensação do dever cumprido ou de estar finalmente de férias? Esperemos que as duas coisas!

Conforme prometi aqui fica a minha mensagem, feita a partir e a pretexto do filme a “Lista de Schindler”, que tivemos oportunidade de ver nas últimas aulas de História. Agradeço os comentários que fizeram aqui no blogue, os quais foram muito pertinentes - “imagens chocantes”, “horror e crueldade de uma época” “desumanidade”, mas também a esperança no acto heróico de alguém que arriscou a sua segurança e o seu bem estar, ao não alinhar com o comportamento dominante. É este um dos objectivos da História – ela é a memória da Humanidade, a nossa memória e através dela nós podemos conhecer os percursos que os que nos antecederam fizeram, para assim, mais esclarecidamente, podermos abrir caminhos com vista a um futuro colectivo melhor (infelizmente aquelas imagens continuam actuais).
Nós, seres humanos, como seres inteligentes que somos, temos a liberdade de escolher, e tanto melhor o podemos fazer quanto mais informados e esclarecidos formos (uma pessoa ignorante não é livre). E, ao longo da nossa vida, todos nós temos de fazer as nossas escolhas. Desejo que cada um de vós, quando tiver de o fazer (esperemos que nunca em situações limite como a do filme), o faça de modo a respeitar a sua dignidade e a dos outros – estarmos de bem com a nossa consciência é um valor fundamental.

Mas a História não são só desgraças! Procurei também sensibilizá-los um pouco para aquilo que de belo os nossos antepassados criaram (parece que estou a ouvir o Cristiano a dizer “stora eu não gosto de pintura!”). Sabem, eu descobri a arte mais ou menos pela vossa idade e tive pena de não ter aprendido a gostar mais cedo. Sim, porque é preciso aprender a gostar.
A arte nas suas diferentes formas de expressão (literatura, música, artes plásticas, etc.) é o testemunho daquilo que é mais intrinsecamente humano – a expressão de emoções, da criatividade, da procura do belo... (sabem, nós também podemos criar “beleza”, na forma como nos relacionamos com os outros).

Gostei de vos ter conhecido e desejo que a vossa vida escolar e/ou profissional seja bem sucedida (não se esqueçam que agora é preciso um estudo mais regular e um maior empenho). Quanto à vossa vida pessoal e social, que encontrem o melhor caminho para vós e para aqueles que vos rodeiam -
sejam pessoas activas, participativas e nunca percam a alegria de viver e a irreverência que caracterizam a juventude.

Mantenham o contacto connosco, já sabem onde nos podem encontrar (e já agora continuem a consultar este blogue e os outros da escola e façam comentários).

Boas Férias!
Maria dos Anjos Luís

9.6.06

TRADIÇÕES RELIGIOSAS/POPULARES

Quinta-Feira da Ascensão ou Dia da Espiga
Arménia Azevedo


No dia 25 de Maio fomos à espiga, revivendo uma tradição muito antiga.
Esta tradição popular acontece quarenta dias depois da Páscoa, no dia em que, para os cristãos, se deu a Ascensão de Nosso Senhor ao Céu, depois de várias aparições aos apóstolos. A solenidade deste dia, fez com que até a um passado recente fosse feriado nacional (foi no Pontificado de Paulo VI, que a Igreja assinou com o Estado Português a abolição deste e de outros feriados).

Nos meus tempos de criança era um dia tão respeitado pelos nossos pais, que nos diziam que nem os passarinhos iam aos ninhos, nem as pessoas podiam dormir a sesta. Era também o dia em que as moças que namoravam tinham que contar às mães as “verdades” sobre o seu namoro.

De facto, quando a Quinta-Feira da Ascensão era dia santo de guarda, as pessoas não podiam trabalhar e como era a época das searas estarem maduras, saía-se para os campos em grupos para conviver e apanhar a espiga. A simbologia que está associada aos ramos é simultaneamente profana e religiosa: a espiga de trigo representa o pão, mas também o corpo de Cristo, alimento do espírito, o ramo de oliveira a paz, mas também a luz (o azeite que ilumina o Santíssimo Sacramento), as flores nos campos de trigo – o amor, a alegria e a beleza da natureza (da Criação).

4.6.06

A LISTA DE SCHINDLER

"Quem salva uma Vida, salva o Mundo Inteiro"
Talmude
As turmas do 9º ano têm estado a ver, nas aulas de História, o filme "A Lista de Schindler", um documento fundamental sobre o Holocausto dos judeus, principais vítimas do estado nazi.
Embora este blogue seja dedicado à História Local, a História da Humanidade é também a nossa História. Vamos então lançar o debate:
"O que é que mais te impressionou e/ou sensibilizou ao veres este filme?"
Prof.ª Maria dos Anjos