23.4.11

A Cidade Romana de Eburobrittium

Catarina Cruz e Tiago Pereira, 7.º A

Vila de Óbidos


Tudo começou quando os arqueólogos tentaram encontrar uma cidade designada por Eburobrittium, referida pelo autor romano Plínio-o-Velho do séc. I, que escreveu sobre as cidades romanas na costa atlântica da Península Ibérica.
Essa cidade estaria localizada algures entre Collipo (Leiria) e Olisipo (Lisboa). Todavia, nos seus textos, o autor não referiu qual a sua localização exacta, o que levou a que diversos autores tenham procurado estabelecer a sua localização.
Então, em 1994, quando estavam a decorrer os trabalhos de construção do IP6 e do IC1 foram descobertos alguns vestígios arqueológicos da época romana que pelo interesse suscitado, conduziram desde logo a trabalhos de escavação do local. Rapidamente, os arqueólogos, sob a direcção de José Beleza Moreira, chegaram à conclusão que, realmente, estavam perante ruínas de uma cidade romana, comparável a Conímbriga. Parte dos principais edifícios encontram-se cobertos pela A8.
Pensa-se que Eburobrittium se tenha desenvolvido a partir do século I a.C., e que sobreviveu até à segunda metade do século V d.C. Foi, provavelmente, uma cidade aberta, sem capacidade de defesa, o que terá levado ao seu abandono. Para além de preocupações de ordem defensiva, o recuo das águas da Lagoa, terão motivado a transferência da povoação para o local onde hoje se encontra a vila de Óbidos. É possível que alguns dos edifícios da actual vila possam integrar materiais da antiga cidade romana.
O projecto de construção de uma cidade romana envolvia diversas pessoas. Arquitectos, topógrafos, engenheiros militares e construtores especializados trabalhavam durante vários meses para projectar, desenhar e planificar a cidade.
Os materiais utilizados na construção eram: pedra, argila (para fabricar telhas e tijolos nas fábricas), argamassa (utilizada para ligar os tijolos e as pedras e no fabrico do cimento) e madeira (utilizada nos andaimes e no travejamento dos telhados).
Iniciavam-se então a construção das duas áreas públicas mais importantes da cidade: o fórum e o mercado.


1. zona comercial, 2 - área administrativa, 3 - pátio.


O fórum era o principal centro da cidade. Nele encontravam-se as repartições públicas, como o Senado, a Basílica (tribunal) e os templos, bem como o mercado e as lojas comerciais. Foi o primeiro edifício a ser identificado de Eburobrittium.
As dimensões do Fórum são de 43,20 m de largura por 64,80 m de comprimento, o que leva a crer que terá sido edificado seguindo a regra dos dois terços, definida por Vitrúvio.
O mercado era o local onde os agricultores e comerciantes instalavam as suas tendas. Localizava-se a céu aberto, num pátio interior, rodeado por colunas. No piso superior, arrendavam-se escritórios a homens de negócios, transaccionavam produtos com outros mercados do império.
O templo do fórum está hoje sob a estrada. A basílica situar-se-ia no lado sul onde se detectou duas fiadas de sapatas para suporte de colunas. A rodear as Tabernae (zona comercial) existiria um pórtico, conforme se confirma pela presença de sapatas ao longo das mesmas.


Termas



Outra importante estrutura de Eburobrittium é o edifício termal. Apenas se encontra escavada a zona quente (lacónico, sala das banheiras, sala de descanso), um praefurnium e um corredor de serviço. O lacónico tem uma piscina circular com 3,4 metro de diâmetro, apresentando dois degraus, com 30 cm de largura.

As escavações do local foram financiadas, nas duas primeiras campanhas, através do IPPAR e posteriormente pela Câmara de Óbidos e pela Associação Nacional de Farmácias, que entretanto adquiriu também a quinta onde se encontra a estação arqueológica.
A partir de 2006, as escavações foram suspensas por falta de financiamento. Esperemos que elas possam ser retomadas, pois estamos perante uma herança arqueológica nacional de valor inestimável.


Fontes:
http://historiaaberta.com.sapo.pt/lib/loc006.htm
http://www.portugalromano.com/?p=868

8.4.11

Os painéis do Mestre da Lourinhã


Beatriz Ferreira e Daniela Sousa, 8.º C




A Santa Casa da Misericórdia da Lourinhã detém um rico espólio de pintura antiga, do qual se destacam as duas tábuas quinhentistas: São João Baptista no Deserto e São João Evangelista na Ilha de Patmos. Encontram-se, neste momento e até ao próximo dia 23 de Abril, no Museu Nacional de Arte Antiga, integrando a exposição Primitivos Portugueses (1450-1550). O Século de Nuno Gonçalves. O historiador de arte, Luís Reis-Santos, foi o primeiro a dedicar-se ao estudo destas pinturas, quando procurava obras de arte para figurarem na Grande Exposição do Mundo Português de 1940. E foi ele que atribuiu o nome de conveniência de Mestre da Lourinhã, dado se desconhecer o nome do autor. Estas obras foram encomendadas pela rainha D. Maria, segunda mulher do rei D. Manuel, para a capela-mor da igreja do mosteiro da ordem de S. Jerónimo, na ilha da Berlenga. A sua edificação, por iniciativa da soberana, foi autorizada pelo papa Leão X, em 1513. A rainha era muito devota deste santo e pretendia um mosteiro naquele local para dar apoio espiritual aos navegantes que passavam pela costa de Peniche. Devido ao isolamento e à insegurança deste sítio, os monges foram transferidos para um novo mosteiro, erguido com essa finalidade em Valbemfeito (Óbidos), por iniciativa de rainha D. Catarina de Áustria, mulher de D. João III e cuja construção foi iniciada em 1535. Quando em 1834 as ordens religiosas foram extintas, estas e outras pinturas vieram para a Santa Casa da Lourinhã a pedido do seu provedor. Segundo Vitor Serrão e Manuel Batoréo, é possível que o Mestre da Lourinhã tenha sido Álvaro Pires, pintor e iluminador da corte dos reis D. Manuel e D. João III, falecido em 1539. As obras do Mestre da Lourinhã, de inspiração flamenga, fazem a transição entre o Gótico final e o Renascimento. Com efeito, a pintura renascentista desenvolveu-se principalmente na Flandres e também em Itália, onde ocorreram duas invenções revolucionárias: a pintura a óleo (cujo inventor foi Van Eyck) e a utilização da perspectiva. A preocupação com o equilíbrio da composição, leva muitos artistas a utilizar a composição em pirâmide por ser mais simples e equilibrada. Outra característica fundamental é o naturalismo: os pintores procuravam representar os animais, as pessoas, as paisagens, as coisas na sua forma natural.



S. João Baptista no Deserto


São João Baptista é considerado o último dos profetas antes da vinda de Cristo e é também o primeiro santo do Novo Testamento. Foi João que anunciou a vinda do Messias e o reconheceu em Jesus Cristo. Quando jovem, João Baptista retirou-se para o deserto para levar uma vida de meditação e penitência. Só comia gafanhotos e mel selvagem e usava um traje feito de pele de camelo. De acordo com o Evangelho de S. Lucas, João deixou o deserto no dia da sua apresentação em Israel e começou a pregar e a baptizar nas margens do rio Jordão, tendo baptizado Jesus Cristo. S. João Baptista tornou-se no primeiro mártir do Novo Testamento, ao ser decapitado a pedido de Salomé, filha adoptiva do rei Herodes. No quadro São João Baptista no Deserto, a figura do precursor aparece em primeiro plano, destacado sobre o fundo da paisagem. As tonalidades das cores que se vão desvanecendo para azuis cada vez mais claros, dão a impressão do longínquo, onde começa o céu e acentuam a noção de profundidade ao quadro. São João Baptista está sentado com o livro da Antiga Lei aberto nas suas mãos e está a lê-lo. No colo do santo está uma ramagem, que se pode identificar como sendo uma haste de roseira, cujos picos fazem recordar os pecados cometidos pelo homem, e que com a ajuda da palavra do Senhor (representado pelo livro da Santa Lei) serão perdoados ao homem. O cordeiro deitado a seus pés simboliza «O Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo» do Evangelho de S. João, cordeiro este que aparece muitas vezes junto a São João Baptista. (Jo. 1, 29-30). Este apresenta ainda uma auréola irradiada e os traços bem marcados do rosto contribuem para uma caracterização de uma personagem que se prepara para falar aos homens e cumprir o desígnio de espalhar a Boa Nova, como afirma Manuel Batoréo.





S. João Evangelista na Ilha de Patmos


S. João Evangelista foi Apóstolo e autor do quarto Evangelho e do Livro do Apocalipse. Era filho de Zebedeu, e foi um dos primeiros doze discípulos de Jesus. Ele e o seu irmão Tiago foram chamados por Jesus (para serem seus discípulos) quando estavam num barco, a consertar redes de pesca. João esteve presente em muitos episódios da vida adulta de Cristo, como por exemplo quando se sentou ao lado dele na última Ceia e foi o único apóstolo a estar presente na Crucificação, amparando a Virgem Maria aos pés da cruz. O cenário evoca Patmos, uma ilha minúscula do mar Egeu, para onde fora exilado pelo Imperador Dominicano, sob a acusação de prática de magia. Era acusado ainda de continuar a pregar, mesmo depois de ter sido submetido a um martírio em Roma, na Porta Latina, onde foi mergulhado num caldeirão com óleo a ferver, tendo saído ileso. A cena do martírio aparece no quadro, ao fundo na entrada da povoação. S. João Evangelista enverga uma túnica vermelha que se desdobra num generoso pregueado, bem marcado nas dobras. O vermelho da veste envolve uma simbologia que para além de estar ligado ao sentido de poder, neste caso terá a ver com a cor da ciência e do conhecimento esotérico. Uma águia de grande envergadura, segurando no bico um tinteiro, está em frente ao Evangelista e é o seu símbolo tradicional, de acordo com Ezequiel. As referências à vida e actividade do santo podem ser encontradas, também, nos dois livros que se encontram a seus pés. Um desses livros está fechado numa capa com atilho, podendo evocar a Antiga Lei, agora substituída pela palavra de Cristo – o Evangelho – inscrita no outro livro, significativamente encadernado de vermelho. O velho livro da Antiga Lei está atado e fechado numa cobertura branca, cor da pureza primordial, própria dos Anjos e dos Eleitos. As folhas estão revestidas a ouro, metal precioso, símbolo da luz mais pura e do elemento em que Deus vive. No meio do rio vemos quatro embarcações cujo significado não se conseguiu determinar, mas deve-se salientar a precisão, própria de um miniaturista, como eram os iluminadores. Na margem do rio, à direita, ergue-se uma azenha, pintada com o estilo e o pormenor próprio das oficinas flamengas do século XV. As pinturas do Mestre da Lourinhã são consideradas da melhor pintura da época no país e merecem ser conhecidas por todos nós.



Alunas do 8.º C, EB de Ribamar, disciplinas de História e Área de Projecto


(artigo publicado no jornal Alvorada, em 1-04-2011)


Bibliografia:


BATORÉO, Manuel, Pintura Portuguesa do Renascimento, Mestre da Lourinhã, Lisboa, Ed. Caleidoscópio, 2004.

CIPRIANO, Rui Marques, Vamos Falar da Lourinhã, Lourinhã, Ed. Câmara Municipal da Lourinhã, [2001].

LODWICK, Marcus, Guia do Apreciador de Pintura, Lisboa, Ed. Estampa, 2003, pp.166-169.

2.4.11

A Pintura Quinhentista da Igreja Matriz da Lourinhã

Viviana Ferreira e Carolina Miguel, 8.º C

Como referimos em artigo anterior (Alvorada, 04.02.2011, p. 11) existia na capela-mor da Igreja de Santa Maria do Castelo quatro pinturas do século XVI - Anunciação, Adoração dos Pastores, Adoração dos Reis Magos e Assunção da Virgem. Estas obras, entre outras, foram transferidas para o convento de Santo António, pouco depois da extinção das ordens religiosas (1834) e da transferência da matriz da Lourinhã para a respectiva igreja. É provável que estas pinturas – óleo sobre tábuas de castanho - fossem do mesmo artista que pintou o retábulo da Igreja Matriz de Arruda dos Vinhos, pintor cujo nome se desconhece e que, por isso, recebeu o nome de conveniência de Mestre da Arruda. Segundo Joaquim Caetano «[…] o Mestre de Arruda dos Vinhos caracteriza-se pelo tratamento plástico dos panejamentos colados aos corpos ou em pregas curvas criando linhas sinuosas e sensuais que demarcam as sombras com suavidade, o mesmo gosto pela utilização de arquitectura renascentista, um alteamento das figuras de primeiro plano, já fortemente maneirista e um colorido de forte sentido decorativo, ainda que algo limitado na paleta.» Com efeito, estas obras, pintadas provavelmente entre 1530 e 1550, revelam já uma influência do Maneirismo. Esta corrente artística impôs-se na Europa, sobretudo em Itália, entre 1530 e 1580 e marcou a passagem do equilíbrio clássico e da serenidade do Renascimento para o complicado e sobrecarregado estilo Barroco. O nome deriva da imitação das «maneiras» cultivadas pelos grandes mestres italianos, como Miguel Ângelo, Rafael e Leonardo da Vinci. Começam a aparecer as figuras alongadas, retorcidas (o serpentinato), em posições afectadas e teatrais, sugerindo-se o movimento em composições por vezes desequilibradas. Passemos agora à análise das imagens, ou seja, dos episódios bíblicos e da mensagem que nos transmitem, bem como da simbologia que lhes está associada.



Anunciação


Este quadro representa Nossa Senhora e o Anjo Gabriel. Segundo o Evangelho de São Lucas, Deus enviou o anjo Gabriel anunciar a Maria que ela iria ser mãe de Jesus. Desde a Idade Média, que o tema da Anunciação tem sido muito representado na pintura. Para além das figuras centrais, podemos ainda encontrar os elementos típicos de um quadro sobre a Anunciação a Nossa Senhora como a pomba, o lírio e o livro. A pomba representa o Espírito Santo, símbolo da encarnação, em que Deus se torna homem na pessoa de Jesus; o lírio branco, símbolo de pureza, significa a virgindade de Maria e o livro remete para a profecia do Antigo Testamento de um nascimento virginal.


Adoração dos Pastores


Por um decreto do imperador romano, Octávio César Augusto, todas as pessoas que viviam no império tinham que se recensear. Como José era de Belém, pequena cidade no sul da Judeia, para aí se dirigiu com Maria, pouco antes de Jesus nascer. E foi num estábulo, onde encontraram abrigo, que Jesus nasceu. Os Evangelhos falam de pastores que, estando nas proximidades e ouvindo anjos a cantar Glória a Deus nas alturas e, na Terra, paz e boa vontade entre os homens, o foram adorar. Neste quadro podemos encontrar o menino Jesus na manjedoura, Nossa Senhora, São José e os três pastores. Os pastores encontram-se a adorar o menino. Os anjos, por cima, são um dos elementos típicos dos quadros que representam o Presépio. É de salientar ainda os jogos de luz e cor utilizados na recriação de um ambiente nocturno.



Adoração dos Reis Magos


Segundo o Evangelho de São Mateus, sábios do Oriente, designados magos, foram guiados por uma estrela até Belém, onde encontraram Jesus com sua mãe, a Virgem Maria. Os Magos adoraram o menino Jesus e ofereceram-lhe ouro, incenso e mirra. São representados com vestes e turbantes luxuosos, animais exóticos, como elefantes e relicários preciosos contendo as oferendas. A partir da Idade Média esses sábios foram denominados reis, para se distinguirem dos feiticeiros e foram-lhes atribuídos nomes: Gaspar, Melchior e Baltasar. Já nos finais desse período, começaram a ser retratados como pessoas de raças diferentes, de modo a simbolizar os três continentes conhecidos à época: Europa, Ásia e África.


Assunção da Virgem


De acordo com o Novo Testamento, Maria esteve presente em alguns momentos decisivos da vida adulta de Jesus, nomeadamente na crucificação, em que é quase sempre representada de joelhos ao pé da cruz. Depois, teria ido para Éfeso, na Turquia, acompanhada por S. João Evangelista, onde permaneceria até ao fim da vida. Três dias após a sua morte, o corpo e a alma de Maria foram elevados aos céus, no que seria denominado de Assunção da Virgem. Nas representações artísticas, a Virgem aparece sustentada por anjos. Em baixo, o seu túmulo está rodeado pelos apóstolos, que olham, admirados, para cima.


A unidade temática deste conjunto de painéis, em torno da figura de Nossa Senhora, justifica plenamente a encomenda de uma igreja matriz, cuja padroeira é Nossa Senhora da Anunciação.


Bibliografia:

CAETANO, Joaquim Oliveira Caetano, Ao Modo de Itália A Pintura Portuguesa na Idade do Humanismo, http://joaquimcaetano.wordpress.com/amor-fama-e-virtude/ao-modo-de-italia/.

LODWICK, Marcus, Guia do Apreciador de Pintura, Lisboa, Ed. Estampa, 2003. SERRÃO, Victor, História da Arte em Portugal – O Renascimento e o Maneirismo (1500-1620), Lisboa, Editorial Presença, 2002, pp. 226-229.

VERÍSSIMO, Ângela, O Maneirismo em português, http://www.isa.utl.pt/campus/3w_manei.htm

Artigo publicado no jornal Alvorada, 04.03.2011

30.3.11

A REPÚBLICA NA LOURINHÃ - A implantação do regime republicano na Lourinhã: realizações e dificuldades.


TRABALHO DOS ALUNOS DO 9.º ANO da EB de Ribamar - 2009/2010


Da pesquisa efectuada resultou:

- a publicação de páginas Web, com o seguinte endereço:




- um DVD, apresentado à comunidade nos dias 24 de Junho - feriado municipal - e 4 de Outubro, no auditório da AMAL, na Lourinhã.

2.3.11

A pintura e a escultura da Igreja de Santa Maria do Castelo da Lourinhã no Antigo Regime
(do século XVI ao início do século XIX)

A igreja matriz da Lourinhã, de invocação a Nossa Senhora da Anunciação, mais conhecida por Santa Maria do Castelo por ter sido erguida dentro das muralhas do desaparecido castelo, foi construída na segunda metade do século XIV, em estilo gótico. Foi sagrada pelo ilustre arcebispo de Braga - D. Lourenço Vicente -, natural da Lourinhã e seu senhor entre 1384-1397.
Quando se entra nesta igreja, classificada monumento nacional em 1922, não podemos deixar de nos impressionar pela beleza deste espaço. A elegância das suas colunas e dos arcos em ogiva, o naturalismo dos seus capitéis, a notável abóbada de cruzamento de ogivas que cobre a capela-mor, iluminada por cinco alongadas janelas geminadas e, na parte oposta do templo, o rendilhado da sua rosácea, fazem deste edifício uma referência na região.
Fig. 1 - Capítulos das Visitações à Igreja de N. S.ª da Anunciação, Lourinhã, 1679-1822

Idêntica sensação terá tido o representante do arcebispo ao contemplar este templo, quando o visitou entre 26 e 28 de Junho de 1683. Nos capítulos da visitação referiu que esta igreja era das “mais authorizadas” do arcebispado, não apenas pela sua antiguidade e grandeza, como também pelos ministros que a serviam (tinha então 10 sacerdotes ao seu serviço) e pela “nobreza desta villa”. Mas a igreja que o visitador observou e aquela que os habitantes da freguesia da Lourinhã semanalmente frequentavam para a missa dominical não tinha o aspecto actual. De facto, não se pode deixar de estranhar o despojamento actual deste templo – tem apenas um altar - o altar-mor -, o que é decerto invulgar num espaço de culto.
Na pesquisa efectuada sobre as Visitas Pastorais à Lourinhã no século XVII, no âmbito da dissertação de mestrado em História Regional e Local, encontrei, na Torre do Tombo, um Inventario dos Moveis da Freg.ª Matriz e Collegiada de N. Snr.ª da Anunciação ou Annunciada da vila da Lourinhãa, datado de 15 de Novembro de 1806, que contém um rol dos altares, obras de arte, paramentaria e objectos litúrgicos. Pela descrição que faz do interior da igreja, não será difícil imaginar a magnificência dos seus altares, provavelmente em talha dourada como era comum na maioria dos nossas igrejas, cobertos com os respectivos frontais, ou a centralidade do seu púlpito, antigo e de grades, decorado com panos de seda ou damasco, para onde os fiéis dirigiam a sua atenção na homilia dominical e nas grandes pregações feitas durante as festas maiores do calendário litúrgico. Ou ainda, a partir de outras fontes, visualizar o esplendor da liturgia das horas canónicas, que quotidianamente eram cantadas pelos oito beneficiados da Colegiada e cujo coro funcionava na capela-mor, separada, nessa época, do corpo da igreja por um gradeamento.
As várias imagens, que estavam nas paredes, nos altares ou na sacristia, dão-nos informações muito interessantes sobre o universo devocional do povo da Lourinhã no Antigo Regime, bem como das devoções incentivadas pela Igreja após o Concílio de Trento (1545-1563).
No altar-mor estava colocada uma “perfeita” imagem de N. S.ª da Anunciação no trono e um Crucifixo sobre a banqueta do altar; nas paredes da capela-mor, do lado do Evangelho, um painel da Anunciação e outro da Adoração dos Magos e do lado da Epístola, um painel do Nascimento de Jesus Cristo e outro da Assunção de Nossa Senhora, todos muito antigos.
No corpo da igreja, do lado do Evangelho, havia dois altares colaterais: no primeiro estavam as imagens de S. Miguel, Santo António e Santa Luzia, todas de madeira; o segundo era uma capela interior onde se encontrava o Sacrário do Santíssimo Sacramento. Do lado da Epístola, no primeiro altar colateral estavam imagens antigas de S. João Baptista e de Santo Antão, todas de madeira e uma de S. Marcos, de pedra retocada; no segundo, uma “perfeita” imagem de Cristo Crucificado e duas de Nossa Senhora, do Rosário e da Saúde, todas de madeira. Sobre o átrio do Cruzeiro havia uma “grande e perfeita” imagem de Cristo Crucificado.
Na sacristia existia uma imagem muito antiga da Senhora da Anunciada, de pedra, outra da Senhora do Patrocínio e ainda outra do Senhor Ressuscitado; três painéis muito antigos, um de S. Francisco de Assis, outro de Santa Luzia, outro de Santa Margarida, um Cristo Crucificado e duas imagens do Menino Jesus.
Apesar do referido inventário datar apenas de 1806 (finais do Antigo Regime), algumas das imagens remontam a um período mais antigo. Com efeito, os painéis da capela-mor (actualmente na igreja do convento de Santo António) foram identificados pelos historiadores de arte como sendo pinturas quinhentistas e as fontes consultadas permitem-nos datar outras obras de, pelo menos, do século XVII. Com efeito, o culto a Santa Luzia foi introduzido por Simão Fernandes que instituiu uma confraria com esse objectivo, quando era beneficiado da Colegiada, entre os anos de 1623 ou 1624, datas prováveis da sua chegada à Lourinhã e 1639, ano em que foi preso pela Inquisição acusado de ser cristão-novo. Será esta a bela imagem seiscentista, adquirida por este beneficiado e que Rui Cipriano diz ter sido transferida pela população do Seixal para a sua igreja? O processo de Simão Fernandes também refere que este sacerdote celebrava diariamente, ora no altar de S. João, ora no altar de Santo António e que tinha alcançado, de Roma, um Breve para ser privilegiado o altar de Nossa Senhora do Rosário (existia também na igreja paroquial uma confraria com esta invocação desde os finais do século XVI).

Fig. 2 – Ruínas da Igreja Matriz da Lourinhã, gravura dos finais do século XIX, [SIPA FOTO.0822935 © IHRU].

O abandono desta igreja, pouco depois da extinção das ordens religiosas em 1834, e a transferência da matriz para a igreja do convento de Santo António, com as respectivas imagens, fez com que se perdesse o rasto a algumas delas. Quando a Direcção Geral dos Edifícios e Monumentos Nacionais procedeu ao restauro da velha igreja matriz (1931-1935), a concepção dominante era a de que se deveria devolver o templo à sua “pureza” primitiva, neste caso à sua raiz medieval. Daí que tenham sido retirados muitos dos acrescentos posteriores, nomeadamente a sacristia, que já aparece referida na visitação de 1630.
Em 1991, 3 de Março, com a presença do Cardeal Patriarca de Lisboa, D. António Ribeiro, a igreja de Santa Maria do Castelo recuperou o estatuto de Matriz da Lourinhã, na sequência de diligências feitas pelo pároco de então - P.e Joaquim Batalha. Que este e outros trabalhos contribuam para recuperar a memória da dignidade deste espaço!

(artigo publicado no jornal Alvorada, em 4.02.2011)


Maria dos Anjos dos Santos Fernandes Luís,
professora de História da EB de Ribamar

FONTES:
— Arquivo Paroquial da Lourinhã/Convento de Santo António, Capítulos das Visitações à Igreja de Nossa Senhora da Anunciação, 1679-1822.
— IAN/TT, Arquivo Histórico do Ministério das Finanças, Mesa da Consciência e Ordens, Ordem de Cristo, Autos de Posse da Comenda de Nossa Senhora da Anunciação da Lourinhã, 1677-1829, cx. 62, Cap. 8, fl. 12.
— IAN/TT, Tribunal do Santo Ofício, Inquisição de Lisboa, Simão Fernandes, proc. n.º 6621, 09.05.1639-19.08.1649, fls. 40, 136 e 137.

24.1.11

D. LOURENÇO VICENTE

Monumento erguido a D. Lourenço Vicente na Lourinhã


D. Lourenço Vicente, ilustre arcebispo de Braga, nasceu na Lourinhã no século XIV, por volta de 1311.
Segundo a lenda, nasceu no Casal da Charrua, lugar actualmente integrado na praia da Areia Branca, onde terá vivido com a sua avó. Saiu da Lourinhã e só se tem notícias dele na década de 1330, tendo frequentado as universidades de Mompellier, Toulose, Paris e Bolonha. Em 1372 era cónego na Sé de Lisboa e nesse mesmo ano foi nomeado Desembargador e Vedor da Fazenda de D. Fernando e, no ano seguinte Bispo do Porto.
Ainda em 1373 foi eleito arcebispo de Braga, pelo papa Gregório VI, sendo sagrado em Avinhão no ano seguinte.
Foi conselheiro do rei D. Fernando e após a sua morte, um dos principais defensores de D. João I na crise de 1383-1385, tendo pronunciado o discurso inaugural de aclamação do Mestre de Avis como Rei de Portugal, em 1385, nas Cortes de Coimbra. Este rei terá dito sobre ele e sobre D. Nuno Álvares Pereira : "O Arcebispo e o Condestável são os meus dois olhos".
Participou na batalha de Aljubarrota, em 14 de Agosto de 1385, onde foi ferido. Pela sua participação nas guerras contra Castela, D. João I doou-lhe a Lourinhã em 1384, ficando senhor desta vila até 1397, ano da sua morte. A actual igreja matriz da Lourinha, em estilo gótico, foi concluída por ele.
Pacificada a Nação, regressou a Braga tendo-se dedicado ao seu arcebispado até à data sua morte.
Foi sepultado em Braga, tendo o seu corpo sofrido uma mumificação natural. Em 1992/1993, uma equipa de antropologia e história, dinamizada pelo Grupo de Etnologia e Arqueologia da Lourinhã - GEAL -, estudou os seus restos mortais e os resultados foram apresentados num encontro efectuado na referida vila em 1993.

Patricia Alexandre, 8ºC
Novidades

Depois de um período de interrupção da actividade do blogue, retomamos a publicação de trabalhos sobre História Local.

18.3.10

Aula sobre pintura do Renascimento na Misericórdia da Lourinhã


Na terça-feira a turma B do 8.º ano deslocou-se à Misericórdia para observar os painéis do Mestre da Lourinhã, os quais, segundo o historiador Manuel Batoréo, foram pintados em 1514 por Álvaro Pires, pintor, ourives e iluminador das cortes de D. Manuel e D. João III. S. João Baptista e S. João Evangelista na ilha de Ptamos foram encomendados pela rainha D. Maria, 2.ª mulher de D. Manuel para o convento jerónimo das Berlengas. O percurso feito por estas pinturas até chegarem à Lourinhã foi apresentado pelo Bruno Baptista, que esteve a estudar este tema em Área de Projecto. A análise dos quadros, no aspecto técnico e iconográfico, foi feita pelo Daniel Anunciação, que os estudou também na referida área curricular não disciplinar. De salientar a serenidade da sua exposição e a clareza da sua análise.

A seguir estivemos na igreja, onde o senhor Rui Cipriano nos falou das características estéticas deste templo e sobre a origem da Santa Casa da Misericórdia da Lourinhã.

13.2.10

Um dos nossos projectos é notícia no Jornal de Letras

Não temos dado notícias sobre o nosso trabalho, o que não significa que não estejamos a trabalhar. Temos é andado muito ocupados com as pesquisas e não temos tido tempo para actualizar o blogue.

Contudo vale a pena registar a notícia publicada no Jornal de Letras (de 10 a 23 de Fevereiro), sobre o projecto que os alunos do 9.º ano estão a desenvolver sobre a Implantação do regime republicano na Lourinhã: realizações e dificuldades. Este artigo foi-nos pedido para um dossier sobre Educação - "Como se ensina a República nas Escolas", que integra o referido jornal.
O título do artigo, como é óbvio, não é nosso. O texto enviado intitulava-se "O Centenário da República na Escola Básica de Ribamar".
(clicar sobre as imagens para ampliar)

12.1.10

Área de Projecto das turmas A e B do 8.º Ano

Os alunos do 8.º ano iniciaram este período com a escolha dos temas para os projectos. São todos do âmbito da História Local como estava previsto:
  1. Origem e povoamento do concelho da Lourinhã
    Mariana e Rita, 8.º B
  2. Igreja de Santa Maria do Castelo
    Marta e Inês, 8.º A
    Adriana e Jéssica Santos, 8.º B
  3. Santa Casa da Misericórdia da Lourinhã
    Ana e Joana Alexandre, 8.º A
    Cláudio e Daniel Fernandes, 8.º B
  4. Origem dos painéis do Mestre da Lourinhã
    Bruno, 8.º B
  5. Os painéis do Mestre da Lourinhã - análise estilística e iconográfica
    Daniel Anunciação e Tiago, 8.º B
  6. Os amores de D. Pedro e Inês de Castro em terras da Lourinhã
    Anastácia, Daniela e Maria Beatriz, 8.º A
  7. D. Lourenço Vicente
    Mário e Rodrigo, 8.º A
    João Plácido e Dário, 8.º B
  8. Dr. João das Regras
    Tiago e Gabriel, 8.º A
    Daniel Valentim e Diogo
  9. O convento de Santo António da Lourinhã
    Michele e Pedro, 8.º B
  10. Fundação das freguesias de Moledo e S. Bartolomeu dos Galegos
    Alex e Sara, 8.º A
  11. Fundação das freguesias de Reguengo Grande e Moita dos Ferreiros
    Patrícia e Diogo, 8.º A
  12. Fundação das freguesias de Miragaia e Marteleira (S. Lourenço dos Francos)
    Jéssica Vitorino e Mélanie, 8.º B
  13. Fundação das freguesias do Vimeiro e Santa Bárbara
    Joana Silva e Helena, 8.º A
    Filipe e Rafael, 8.º B
  14. Fundação das freguesias de Atalaia e Ribamar
    Maiquel e Leonardo, 8.º A
    Eloísa e Inês, 8.º B
  15. D. Vasco de Mascarenhas, conde de Óbidos, comendador da Igreja do Castelo da Lourinhã
    Camila e João Simões, 8.º B

Os grupos vão aproveitar as pesquisas já feitas pelos alunos deste clube, desde o ano lectivo de 2005/2006 e que se encontram no site criado para o efeito: http://itinerariosribamar.googlepages.com/

Entretanto, irão acrescentar ao site os resultados de novas pesquisas e fazer pequenas apresentações em Powerpoint e em Moviemaker, para enriquecerem o centro de recursos da escola.

Bom trabalho e um bom ano de 2010!

19.12.09


O blogue tem estado um pouco parado, porque temos estado a trabalhar em várias frentes. No 2.º período haverá notícias.

7.12.09

Projectos a decorrer

Para além dos projectos que estão a decorrer, os alunos do 9.º ano vão iniciar no 2.º período os trabalhos com vista às Comemorações do Centenário da República. Estamos de momento a recolher documentação que nos permita participar num dos concursos propostos pela Comissão Nacional para as Comemorações do Centenário da República e Ministério da Educação.


O concurso "A República em…", tem como objectivo a realização de trabalhos que abordem o tema da I República e do Republicanismo relacionado com o município onde a escola se insere. É pois uma abordagem de um tema nacional mas na vertente da História Local.

20.11.09

VISITAS À IGREJA MATRIZ DA LOURINHÃ



Terminaram, no dia 12 de Novembro, as saídas à Lourinhã para visitar a Igreja de Santa Maria do Castelo. Eis o testemunho de um dos alunos participantes:

Esta visita teve como objectivo aumentar os conhecimentos dos alunos acerca da arte gótica e do património da Lourinhã.
A igreja da Lourinhã é uma igreja muito antiga, tem mais de 600 anos e é considerada uma das mais belas igrejas a nível nacional. É uma Igreja muito bonita e um bom exemplo de arte gótica.
Foi concluída entre 1384 e 1397, no tempo em que D. Lourenço Vicente era arcebispo de Braga e senhor da Lourinhã e foi ele que a inaugurou.
É desde 1922 património nacional e foi restaurada pela Direcção Geral dos Edifícios e Monumentos Nacionais, entre 1931 e 1935.
O que mais apreciei foi a capela-mor ou abside, porque é muito trabalhada e tem uma bela abóbada de cruzamento de ogivas.
As naves (laterais e central) têm uma simples cobertura de madeira.
A actividade decorreu bem devido ao interesse dos alunos.
Com esta visita de estudo aprendemos que a Lourinhã tem um grande património histórico e que a arte gótica é uma arte muito trabalhada e elegante.
Foi uma visita que contribuiu para aumentar muito os meus conhecimentos de História.
Espero que num futuro próximo haja mais iniciativas como esta.

Tiago Jorge Alfaiate Pinto, 8ºB

30.10.09

A equipa da 6.ª Feira

O trabalho deste grupo continua a avançar, embora lentamente. Isto deve-se não apenas à natureza do projecto, mas também ao facto de dispor apenas 45' por semana para a sua concretização.
Fica aqui um pequeno apontamento de um dos trabalhos que estão a ser realizados. As suas autoras encontram-se espelhadas no ecran do computador.

29.10.09

Visitas de estudo à Igreja do Castelo

Começámos esta semana a visita à Igreja da Santa Maria do Castelo da Lourinhã. A realização em pequenos grupos é mais proveitosa, porque não há tanta dispersão e podemos em conjunto explorar melhor os elementos estruturais, decorativos e simbólicos do edifício.
Esta "aula de História" contempla momentos de exposição, mas privilegia a descoberta, baseada na observação e registo no guião previamente fornecido, (o guião tem uma pequena introdução histórica na 1.ª página). Depois partilham-se os resultados das observações e a sua interpretação.

Grupo de alunos do 8.º A, 29.10.2009


Grupo de alunos do 8.º B, 27/10/2009

Os alunos participantes manifestaram a sua satisfação por esta saída, argumentando que assim se aprende melhor, apesar de alguma brincadeira pelo meio... Querem voltar a repetir a experiência, visitando outros locais de interesse histórico e patrimonial da Lourinhã.

23.10.09

VISITAS DE ESTUDO À LOURINHÃ

Anunciação, pintura a óleo sobre tábuas de castanho, 1530-1550*

A partir da próxima semana, vão iniciar-se as saídas à vila para visitar a Igreja Matriz, cujo orago é Nossa Senhora da Anunciação. É conhecida como Igreja de Santa Maria do Castelo, por se ter erguido dentro das muralhas da desaparecida fortaleza.


Em pequenos grupos (às terças e quintas feiras), na carrinha do "Grupo de Amigos de Ribamar," os alunos das turmas do 8.º ano vão ter oportunidade de visitar este monumento nacional. Esta visita integra-se na leccionação da "arte gótica" na disciplina de História e na Área de Projecto, que alia a Introdução às Tecnologias da Comunicação e Informação com a História Local.

Enquanto um grupo realiza a visita com a professora de História, os outros ficam na sala com a professora de TIC e os grupos vão rodando até todos terem tido oportunidade de realizar a respectiva deslocação. Para o próximo período outras visitas estão previstas.

* Esta pintura esteve exposta na parede da capela-mor da igreja do castelo, do lado do Evangelho, até cerca de 1837, ano em que este templo foi abandonado e a matriz transferida para Santo António. A igreja do castelo foi restaurada na década de trinta do século XX e recuperou o estatuto de matriz nos finais do século passado, mas não as obras que aí se encontravam.

16.10.09

Os painéis do Mestre da Lourinhã

S. João Evangelista na ilha de Patmos

Depois seleccionados os textos e as imagens sobre a História dos painéis do Mestre da Lourinhã - S. João Baptista no Deserto e S. João Evangelista na Ilha de Patmos - a Jéssica e a Rita vão agora a analisar os quadros propriamente ditos. Assim há que identificar as características do estilo renascentista presentes nas obras e interpretar as imagens (iconografia), não apenas das figuras centrais e de seus atributos, como também dos pormenores que ajudam a esclarecer a narrativa.























S. João Baptista no Deserto












Nota: As fotografias de pormenor foram feitas a partir da obra de Manuel Batoréo, Pintura Portuguesa do Renascimento - O Mestre da Lourinhã, edª Caleidoscópio, 2004.

9.10.09

O Arranque dos Projectos













Enquanto as turmas A e B do 8.º ano se estão a familiarizar com as ferramentas da informática, os membros do grupo da 6.ª feira iniciaram hoje os seus projectos. O Projecto da Márcia Nunes e a Ana Sofia Santos (9.ª A) é sobre a História e as características estéticas da Igreja do Castelo da Lourinhã; o do Rafael Ferreira (9.º B) e do Pedro Alfaiate (8.º B) sobre os simbolos que estão gravados na pedra dessa igreja; o da Jéssica Cruz (9.º A) e da Rita Vicente (9.º B) analisa os painéis do mestre da Lourinhã, obras-primas da pintura portuguesa do Renascimento e o Paulo Pereira é o consultor na área da música, responsável pela selecção do fundo musical dos DVDs.

Escolher imagens, seleccionar textos, elaborar o genérico do DVD e pensar nos tipos de música adequados a cada um dos temas, foram algumas das actividades do sessão de hoje.

Pelo que observei, o trabalho promete!

Aos alunos do clube de História e a todos os alunos de Ribamar, desejo que se divirtam na festa que hoje se inicia - festa anual dedicada a Nossa Senhora de Monserrate. Mas não se deitem muito tarde nos dias em que houver aulas!

Prof.ª Maria dos Anjos Luís

2.10.09

DIVULGAÇÃO DA HISTÓRIA E PATRIMÓNIO LOCAIS
Perspectivas de trabalho

Neste ano lectivo, o clube de História Local encontra-se dividido em três grupos de trabalho: na Área de Projecto das turmas A e B do 8.º ano (3.ª e 5.ª feira) em parceria com a professora Sílvia Silva, professora de Introdução às Tecnologias da Informação e Comunicação e outro grupo composto maioritariamente por alunos do 9.º ano, em actividade extra-curricular, às sextas-feiras.

Ao fim de quatro anos lectivos de funcionamento, o nosso clube constituiu um arquivo com várias centenas de fotografias e produziu inúmeros textos sobre a história e o património do concelho da Lourinhã, que merece uma divulgação não apenas on line (veja-se o site http:// itinerariosribamar.googlepages.com) mas também e, de uma forma apelativa, junto dos alunos da nossa escola. Deste modo propomo-nos realizar pequenas apresentações temáticas, através do movie maker, que poderão ser utilizadas nas turmas durante as aulas de História ou em outras ocasiões.
Prof. Maria dos Anjos Luís

24.9.09

DE REGRESSO!

Depois de um ano muito interessante a fazer investigação sobre a História do concelho da Lourinhã no Antigo Regime, especialmente sobre o século XVII, estou de regresso à escola. A dissertação de mestrado (História Regional e Local, Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa) já foi entregue e estou a aguardar a sua apresentação e defesa perante o júri. A partir daí começarei a divulgar alguns dos resultados da pesquisa.

O trabalho é essencialmente sobre a justiça episcopal (dos bispos), a partir dos livros de devassa e admoestações redigidos aquando das visitas pastorais (séc. XVII). É completado pelos processos levantados pela Inquisição a habitantes da Lourinhã (séculos XVI e XVII), porque os "delitos" em matéria de fé, eram da jurisdição deste tribunal. Nessa época, o Estado era confessional e a religião católica era a religião oficial e obrigatória para todos. Em Portugal, ao contrário do que acontecia nos outros países europeus, as visitas pastorais, realizadas pelo bispo ou por um seu delegado, tinham também como objectivo julgar "delitos" de natureza moral e não apenas inspeccionar o cumprimento das obrigações religiosas do clero e dos fiéis e o estado de conservação dos templos e objectos litúrgicos. A jurisdição eclesiástica sobre leigos era assim uma das originalidades das visitações portuguesas e constituiu um instrumento de normalização e disciplinamento social de grande eficácia, já que a Igreja era uma das instituições mais bem organizadas e com um poder de penetração no território que não tinha equivalente na época. Não nos podemos esquecer que as freguesias (paróquias) eram divisões administrativas da Igreja.

A riqueza informativa dos fontes consultadas, permitiu-me também abordar outros aspectos - a vida social e religiosa da Lourinhã, a demografia e a economia, a toponímia dos lugares e das ruas, os edifícios e espaços entretanto desaparecidos, as pessoas que desempenharam funções na administração eclesiástica e secular locais -, relevantes para o conhecimento da História Local.
De regresso à escola, mas também ao clube de História Local. Em breve apresentaremos novidades! Quero manifestar o meu apreço pelo trabalho desenvolvido pelos alunos e pelos professores, Gonçalo Rasteiro e Teresa Faria, no ano lectivo passado e dar-lhes os parabéns.
Prof.ª Maria dos Anjos Luís