22.11.07

A chegada dos franceses a Lisboa - II

Sara Antunes e Sara Prioste


A instalação de Junot na capital foi feita no palácio mais rico que era propriedade do Barão de Quintela na rua de Alecrim, exigindo-se da câmara 12 000 cruzados mensais para despesas. Enquanto os soldados ficaram aquartelados na capital, a maioria em Campo de Ourique, alguns regimentos ocuparam conventos como o da Trindade, Carmo, S. Domingos, Camilos, Jesus, Caetanos e Inglesinhos e ainda nos quartéis militares de Alcântara e Belém e nas fortalezas de S.Julião, Bugio e no Castelo de S.Jorge. Parte da tropa Espanhola ficou aquartelada em S. Francisco de Paula, seguindo a maioria para Mafra.
Foram ainda estabelecidos hospitais militares no convento da Graça e no hospital civil de S.José, dado ao número elevado de doentes. Ainda utilizaram o convento do Beato, da Estrela e da Marinha. A maioria dos soldados encontrava-se num estado deplorável, dadas as ordens para chegarem rapidamente a Lisboa (a travessia do país deu-se em duas semanas, o que é notável para a época). Napoleão pretendia que o seu exército chegasse a tempo de aprisionar o príncipe herdeiro. Para alguns autores o objectivo principal era capturar os barcos portugueses, essenciais para enfrentar o poderio marítimo da Inglaterra. Não nos podemos esquecer que a família real tinha partido na véspera da chegada dos franceses, escoltada por navios ingleses.

Como já dissemos num post anterior, os franceses foram recebidos com alguma empatia, mas esse sentimento não durou muito tempo. A 13 de Dezembro, pelas 12 horas, dá-se início a um grande cerimonial: Junot e o seu estado-maior passam revista às tropas em parada no Rossio e é hasteada a bandeira francesa no castelo de S. Jorge em substituição da Portuguesa. Este acto originou vários motins que foram silenciados pelas patrulhas francesas.

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