9.6.06

TRADIÇÕES RELIGIOSAS/POPULARES

Quinta-Feira da Ascensão ou Dia da Espiga
Arménia Azevedo


No dia 25 de Maio fomos à espiga, revivendo uma tradição muito antiga.
Esta tradição popular acontece quarenta dias depois da Páscoa, no dia em que, para os cristãos, se deu a Ascensão de Nosso Senhor ao Céu, depois de várias aparições aos apóstolos. A solenidade deste dia, fez com que até a um passado recente fosse feriado nacional (foi no Pontificado de Paulo VI, que a Igreja assinou com o Estado Português a abolição deste e de outros feriados).

Nos meus tempos de criança era um dia tão respeitado pelos nossos pais, que nos diziam que nem os passarinhos iam aos ninhos, nem as pessoas podiam dormir a sesta. Era também o dia em que as moças que namoravam tinham que contar às mães as “verdades” sobre o seu namoro.

De facto, quando a Quinta-Feira da Ascensão era dia santo de guarda, as pessoas não podiam trabalhar e como era a época das searas estarem maduras, saía-se para os campos em grupos para conviver e apanhar a espiga. A simbologia que está associada aos ramos é simultaneamente profana e religiosa: a espiga de trigo representa o pão, mas também o corpo de Cristo, alimento do espírito, o ramo de oliveira a paz, mas também a luz (o azeite que ilumina o Santíssimo Sacramento), as flores nos campos de trigo – o amor, a alegria e a beleza da natureza (da Criação).