17.1.08

A Reação dos Portugueses à Ocupação Francesa
Márcia e Daniela,7ºA

Vamos retomar a narração dos acontecimentos que se sucederam à instalação de Junot e do seu debilitado exército na capital, após a sua chegada a 30 de Novembro de 1807.
O sentimento de alguma expectativa deu lugar, ao fim de pouco tempo, ao aparecimento de focos de revolta um pouco por todo o lado. Com efeito, a dissolução do Conselho de Regência (1 de Fevereiro de 1808) deixado pelo príncipe D. João aquando do embarque para o Brasil, a destituição da Casa Real de Bragança, a extinção parcial do exército português (o melhor dele foi enviado para França para integrar as tropas de Napoleão), o lançamento de impostos extraordinários, as requisições forçadas de alimentos para abastecer o exército francês e do ouro e da prata das igrejas, eram razões suficientes para os portugueses estarem descontentes.

Sobre o “desfalque” que foi feito no nosso país, temos alguns dados sobre o que se passou na nossa região. A requisição de objectos (alfaias litúrgicas) de prata e ouro das ermidas, igrejas e conventos da Comarca de Torres Vedras, onde o concelho da Lourinhã se integrava somou 5$469 marcos e 5 onças de prata, 1 onça, 5 oitavas e 36 grãos de ouro, valor calculado (em meados do século XIX) em 35.000.600 de réis. O responsável pela arrecadação foi o corregedor da Comarca José da Cunha Fialho, tendo como tesoureiro o comerciante Arsénio Francisco de Carvalho, que tudo entregou em Lisboa na Casa da Moeda. Nunca mais foram devolvidos. Poucas foram as igrejas em que alguma ou toda a prata escapou, por se esqueceram de a pedir ou por ter sido escondida. Para a contribuição chamada de guerra, exigida à classe comercial, pagou a comarca 8.000.000 de réis (8 contos de réis).

A violência com que algumas das revoltas foram reprimidas (com destaque para o general francês Loison, conhecido com a alcunha de “Maneta”), ainda acirrou mais o ódio aos franceses. Esse sentimento está muito bem expresso nas seguintes quadras populares:

O patife do Junot
Vinha para nos proteger!
Veio mas foi para nos roubar,
E p’rás pratas recolher.

O Junot mais o Maneta
Dizem que Portugal é seu,
É o diabo para ele
E mais para quem lho deu.

Já o mar anda de luto,
Também as embarcações.
Anda a guerra conta a França,
Ajuntam-se as mais nações.*

Entretanto, o Porto e as províncias do Minho e Trás-os-Montes revoltaram-se e formaram uma Junta Provisória de Governo. Estavam criadas as condições para o desembarque dos nossos aliados – os ingleses.

* Cit. por João Pedro Tormenta e Pedro Fiéis, A Primeira Invasão Francesa. As Batalhas da Roliça e do Vimeiro, Caldas da Rainha, ed.ª Nova Galáxia, 2005, p. 67.

Louis Henri Loison


Loison era filho de um deputado à Assembleia Constituinte francesa, tendo-se alistado, em 1791, num batalhão de voluntários. Começa então a sua carreira militar, tendo participado em diversas campanhas militares na Europa e foi sendo sido promovido em função dos êxitos militares dos exércitos napoleónicos.
Em finais de 1807 é nomeado comandante da 2.ª divisão do Corpo de Observação da Gironda, que invade Portugal em Novembro, substituindo o general Laroche, que abandonou o corpo, por motivos de doença, em 21 de Outubro. Chega a Lisboa, nos primeiros dias de Dezembro, não tendo conseguindo acompanhar a sua divisão nas marchas forçadas que a trouxeram até Lisboa, sendo enviado para o norte da capital. É encarregue das expedições punitivas que se realizam em Maio e Junho de 1808 contra as populações insurrectas do Norte de Portugal e do Alentejo. Estando em Almeida, foi encarregue da ocupação do Porto, após a retirada das tropas espanholas daquela cidade, em Junho de 1808, mas será derrotado pelas Milícias e Voluntários das Ordenanças de Trás-os-Montes em Mesão Frio. Regressado a Lisboa, é enviado de imediato para o Alentejo, dispersando as forças insurrectas em Évora, o que o impede de chegar a tempo de ajudar Delaborde, no combate que este trava contra Wellington na Roliça.
Ficou conhecido em Portugal pelo Maneta (tinha perdido, em 1806, o braço esquerdo num acidente de caça) e a especial violência com que reprimia as revoltas, deu origem à expressão “ir para o maneta”, que significa morrer. Ainda participou na 2.ª invasão de Portugal, comandada por Soult e na 3.ª, dirigida por Massena.