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D. Lourenço Vicente nasceu na Quinta da Charrua, junto à praia da Areia Branca, na freguesia e concelho da Lourinhã.

Antes de 1344, estudou em Montpellier e Toulouse, passando entre 1344 e 1347 por Bolonha. Bacharel em Leis, é referido como docente da Universidade de Coimbra em 7 de Agosto de 1363. Foi arcebispo de Braga entre 1374-1397 (23 anos). Efectivamente o papa Gregório XI, nomeou-o arcebispo de Braga através da Bula
Do seu patriotismo deu provas abundantes durante o cerco de Lisboa em 1384 e na batalha de Aljubarrota em 1385, na qual recebeu um ferimento na face de que se orgulhou muito até ao fim da sua vida. O seu amor à pátria e os muitos serviços que prestou à causa da independência nacional foram reconhecidos pelo Mestre de Avis, que em Outubro de 1384 lhe doou o senhorio e alcaidaria da Lourinhã.
Em finais de 1385, junto à catedral de Braga, mandou construir uma capela gótica em honra de nossa Senhora do Ó, para aí ser sepultado, o que aconteceu no Outono de 1397, ano do seu falecimento.
Duzentos e sessenta e seis anos depois, quando lhe demoliram o túmulo, foi encontrado o seu corpo incorrupto, o qual, depois de paramentado com vestes de pontifical, foi encerrado num caixão de vidro e colocado no arcosolio da dita capela.
A vila da Lourinhã prestou homenagem a este seu filho ilustre a 17 de Setembro de 1970, inaugurando o busto de D. Lourenço Vicente junto ao convento de S. António.
Oito – O oito é, universalmente, o número do equilíbrio cósmico. É o número das direcções cardeais, a qual se junta o das direcções intermédias; o número da rosa-dos-ventos, da torre dos ventos ateniense. É com frequência o número dos raios da rosa, desde a rodinha celta à roda da lei budista. É também o das pétalas do lótus e dos caminhos da vida.

Octógono – As pias baptismais têm com frequência uma forma octogonal na base, ou erguem-se sobre um pavilhão circular de oito pilares. A forma octogonal simboliza a ressurreição, evoca a vida eterna.
Cinco – É sinal de união, número nupcial, número também do centro, da harmonia e do equilíbrio, símbolo da vontade divina, da ordem e da perfeição.
A harmonia pentagonal dos pitagóricos deixa a sua marca na arquitectura das catedrais góticas. A estrela de cinco pontas, e a flor de cinco pétalas estão colocadas, no simbolismo hermético, no centro da cruz dos quatro elementos e a quinta – essência, ou o éter. O cinco em relação ao seis é o microcosmos em relação ao macrocosmos, o homem individual em relação ao homem universal.
A Lenda de Santiago
Segundo uma lenda muito antiga, após a dispersão dos apóstolos pelo mundo, São Tiago (Santiago) foi pregar as “boas novas” em regiões longínquas, passando algum tempo na Galiza, Extremo Oeste da Espanha, a que os romanos chamaram “Finis Terrae”, por ser o extremo mais ocidental do mundo então conhecido.
Ao regressar à Palestina, no ano 44, foi torturado e decapitado por Herodes Agripa e o seu corpo foi mandado para fora das muralhas de Jerusalém.
Dois de seus discípulos, Teodoro e Anastácio, recolheram os seus restos mortais e levaram-nos de volta ao ocidente, aport

Entretanto, chamou-se ao lugar onde o santo foi sepultado "Campus Stellae" ou Campo de Estrelas devido à prodigiosa visão do ermitão de San Fiz, de nome Pelágio que vira em noites sucessivas uma estrela iluminando um alto carvalho que sobressaía do referido bosque. Daí deriva o actual nome de Compostela.
Avisado das luzes místicas, o bispo de Iria Flávia, Teodomiro, ordenou que fossem feitas escavações no local, encontrando, assim, uma arca de mármore com os ossos do santo.
A notícia espalhou-se e as pessoas começaram a deslocar-se, primeiro dos estados cristãos do norte peninsular, depois de toda a Europa, afim de conhecer o sepulcro, originado assim os Caminhos de Santiago de Compostela.
De Lisboa, além dos peregrinos nacionais oriundos da região do Alentejo e do Algarve, partiam os que vinham do Sul da Europa.
Por sua vez e no tempo dos romanos, esta cidade estava ligada às cidades de Braga e Mérida, por uma via comum até Scalabis (arredores de Santarém) e que passava Jerabriga (Alenquer). Daqui par

Por onde seguiria o Caminho entre Torres Vedras e Óbidos? Há duas possibilidades - ou pelo Bombarral e S. Mamede, ou pela Lourinhã, Columbeira e S. Mamede. A presença de inúmeros vestígios romanos na Lourinhã leva-nos a colocar a hipótese de aqui ter existido uma via romana que ligava a Óbidos. Deste modo, é provável que um dos caminhos de peregrinação a Santiago passasse por esta vila, até porque a Lourinhã, na época medieval, possuía um porto de mar, ficando igualmente na rota marítima dos peregrinos que atingiam Compostela por mar. As conchas de vieira presentes na igreja de Santa Maria do Castelo também apontam nesse sentido.
22.3.06
Igreja de Santa Maria do Castelo da Lourinhã


Situada junto das muralhas do desaparecido castelo e por isso também conhecida por Santa Maria do Castelo, a actual igreja matriz é um templo amplo e sumptuoso. É composta por três naves separadas por oito arcos ogivais, sustentados por colunas de calcário, monolíticas, encimadas por capitéis esculpidos com elementos vegetais todos diferentes.
Nas duas naves encontram-se dois túmulos, supondo-se ser o da esquerda de D.Jordão.
A capela-mor, tem forma octogonal e a abóbada assenta em grossas nervuras chanfradas, onde se observa escudos armoriados, sendo um já quase imperceptível e tendo o outro quatro flores de lis, um loureiro e dois pequenos escudos transversalmente opostos pelos vértices.

O pórtico principal, virado para o mar, possui quatro arquivoltas com capitéis historiados, representando cenas da vida familiar rural e do Antigo Testamento, bem como animais mitológicos, já bastante gastos pela erosão dos ventos carregados de sal, vindos do mar. Esta porta é encimada por uma das mais belas rosáceas da época.
Caminhando para Sul, pode observar-se que a esquina assenta numa pedro romana. O pórtico sul é de três arquivoltas e gablete. No séc. XVI e devido a um desaterro, este baixou, vendo-se ainda as marcas da localização inicial. A torre sineira é também desse século.
Ao lado norte encontra-se uma porta ogival, de arestas chanfradas, decoradas com carrancas e vieiras esculpidas, estas últimas simbolizando os peregrinos que se dirigem a Santiago de Compostela, o que faz supor situar-se a Lourinhã nos caminhos de peregrinação.
A igreja de Santa Maria do Castelo foi classificada monumento nacional em 1922.